O grande torcedor
- by Ana Luiza Lopes
O mundo todo (ou pelo menos nós brasileiros) estamos pensando, repirando e vivendo a copa na África. É essencial vestir o verde e o amarelo, colocar uma bandeira no carro, na rua ou mesmo na testa. O objetivo da maioria dos patriotas é “ser” um pequeno outdoor, que vá das roupas íntimas até o cabelo e o esmalte das unhas. O importante é demonstrar essa paixão, mesmo que ela só floresça de quatro em quatro anos.
Retirar aquelas roupas do armário que estão lá no fundo, todas com as cores iguais e que só mudam o tom, de claro para escuro. Aliás um verdadeiro torcedor, além da roupa, possui um kit barulho: corneta, apito, pandeiro, ou mesmo tampa de panela. Por que não? Faz barulho. E fazer barulho é ser um grande torcedor.
Na hora do jogo, o indispensável é gritar a todo momento, chegar no final dos 90 minutos e ter xingado todos os palavrões conhecidos, e sempre colocar a culpa no juíz ou no Dunga. Por que não?
Deixando de lado as brincadeiras, basta jogar no google “Por que brasileiro só é patriota durante a Copa?” e você verá quantos artigos e teses existem sobre esse tema. Na maioria das vezes, a denúncia cai sobre a propaganda que incentiva essa garra, paixão, união e força que não aparacem no decorrer de quatro anos. E as frases de efeito que sempre são utilizadas “Vai lá, Brasil!”, “Traz a taça!”, evidenciando mais essa culpabilidade.
Mas no final, o importante é TORCER para o Brasil, mesmo que demore 1.460 dias.
