O dia em que eu descobri que era redator
- by Andre Fantin
Mesmo antes de entrar na faculdade eu passava boa parte do meu tempo olhando propagandas. Tive a grande oportunidade de trabalhar em um jornal na minha cidade como diagramador, o que julgo ter sido decisivo para minhas escolhas futuras. Lá tive contato com publicitários e eu me perdia encantado em layouts simples, layouts incríveis e aqueles muitíssimo bem resolvidos.
Pronto. Eu queria ser diretor de arte.
Entrei na faculdade e logo no primeiro período fui para a Ecos. Era o único calouro no núcleo de projetos publicitários e precisava acompanhar o ritmo de veteranos talentosos como meu diretor Ítalo Galiza e os outros dois trainees, Gabriel Bona e Alex Goveia. Na fissura de ser diretor de arte (vamos chamar de D.A), eu li inúmeros títulos dos quais eu já nem lembro os autores. A logomarca, Design para quem não é design, Compondo com cores (ou algo assim), e alguns outros do Gilberto Strunk.
Eu continuava achando incrível toda aquela composição, tinha tara por identidade visual e insistia em fazer montagens no Photo Shop. Depois de até tentar aprender a desenhar (dessa eu não abro mão, um dia consigo) eu percebi que não estava colocando em prática nada daquilo que estava lendo. Percebi que eu só lia e lia. Então eu gostava de ler sobre propaganda.
Eureka!
Lembrei da minha trajetória até aquele momento. Escrevi a minha infância inteira, havia escrito mais de mil páginas em dois livros, todos os briefings do 2º período eu considerava resolvido depois que tinha aquela “sacada” e os meus trabalhos que me deixaram mais orgulhosos na Ecos foram trabalhos de redação.
Aí veio o primeiro estágio. Redator publicitário na Quality Propaganda. Legal. Aprendi o que tinha que aprender e, principalmente, desencanei com essa coisa de D.A. Depois que passei a me dedicar àquilo para o qual eu tinha nascido (sons divinos, rs) melhorei muito meus trabalhos. Vieram os primeiros títulos realmente legais, as primeiras campanhas de sucesso e os primeiros dois (solitários) prêmios.
Uma boa característica de um redator é ser sucinto e isso ainda não consegui desenvolver direito (nota-se) e é sobre essas habilidades de redação publicitária que vou falar neste espaço o qual fui convidado (Mario Zuany diz: André, você vai escrever para o site da Ecos). Por ora é isso, volto em breve com alguma dica de livro para quem quer se aventurar por este mundo de letras e vírgulas.
