Cinemateca Brasileira

 - by Ecos Jr

Nessas férias tive a oportunidade de visitar, junto ao meu pai, a Cinemateca brasileira, acompanhada por Rafael Carvalho, do núcleo de programação. Imaginem que o prédio era um matadouro construído em 1887, onde trens passavam por esses galpões para buscar as peças de carne que abasteciam a cidade. Hoje o prédio foi preservado e abriga o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. Rafael até brinca ao dizer que boatos circulam pelos seguranças noturnos que dizem escutar ainda hoje os gritos dos bois. Mas verdade seja dita, a cinemateca é um lugar de ótima receptividade para os admiradores da sétima arte.

Assim que cheguei, conheci a biblioteca de lá, com certeza um ninho de livros que fazem feliz qualquer pesquisa relacionada a cinema. Na mesa de um bibliotecário, estavam algumas versões originais da revista Cinearte, as quais ele cuidadosamente catalogava. Revistas editadas no Rio de Janeiro, que circularam entre as décadas de 1920 e 1950. A digitalização está disponível no site da Biblioteca Jenny Klabin Segall e “preserva a coleção original divulgando o conteúdo tanto para pesquisadores acadêmicos, como para o público leigo”, afirma Cecilia Soubhia, coordenadora do projeto.

Fiquei sabendo também que a cinemateca conta com um acervo de 8.700 cartazes de filmes originais, onde 2 mil desses já foram digitalizados e estão disponíveis para visualização no site da Ciemateca. Quando lá, é só clicar em “documentação” onde aparece um texto. Depois clicar em “coleção de cartazes”, um link que está no segundo parágrafo do texto. Daí é só viajar nas buscas.

Um cartaz interessante é esse do filme “O assalto ao trem pagador” da autoria de Ziraldo. “Exímio desenhista, Ziraldo também soube projetar peças que buscavam outros caminhos para o discurso gráfico. Nesse caso, ele lança mão da visualidade dos jornais populares, dos quais se dizia que ‘se espremermos, sai sangue’. A partir dessa referência, constrói um cartaz capaz de atrair desde o intelectual até o próprio leitor dos jornais sangrentos”, diz Chico Homem de Melo, no livro “O Design Gráfico Brasileiro, anos 60”.

No dia da visita, 13 de janeiro, começava a programação 2010 da cinemateca: “Verão de Clássicos”. O filme que estava sendo exibido era “Vento e Areia”, de Victor Sjöström, do ano de 1928. Portanto, cinema mudo e bem mudo, pois a sessão não contava com aquela trilha sonora de piano ao fundo. Percebi um grande estranhamento em mim assim que sentei para assistir a um fragmento do filme. É interessante perceber como a atuação é tão diferente da de hoje, muito mais dramática e enfatizada. O tempo também era outro, cenas mais longas, para que consigamos captar o que o personagem, incapaz de dizer, está sentindo.

@luizammaciel

gostou? que tal:

Tweet isto!

Comente